Hannah Arendt – sobre a morte

O nascimento e a morte dos seres humanos não são simples ocorrências naturais, mas referem-se a um mundo no qual aparecem e do qual partem indivíduos singulares, entes únicos, impermutáveis e irrepetíveis.
Hannah Arendt, “The human condition”
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Heidegger – a mais digna de todas as questões

Todavia pela presente carta, trata-se unicamente de reconhecer o seguinte fato: que é precisamente o olhar em direção do reino da interpelação, quer dizer em direção do próprio da tecnologização do mundo, que mostra um caminho em direção ao próprio do homem, que distingue sua humanidade no sentido da reivindicação que se faz para isso através do ser. O homem é aquele que é necessitado para isso pela força da interpelação. O que lhe é próprio repousa sobre o fato que ele não se pertence a ele mesmo. Se seguimos a perspectiva que nos mostra o que reina no mundo técnico, ela nos concede a possibilidade de uma experiência determinante. A força da interpelação guarda, suficientemente meditada, a promessa em si que o homem pode alcançar ao próprio de sua determinação se se mantém próximo a uma estadia paciente na mais digna de todas as questões. Aquela que medita isto em que é guardado o próprio do que o pensamento ocidental-europeu tem se representado até então sob o nome “ser”.

Heidegger, GA11, “Carta à Kojima Takehico nos anos 1963-1965”

Kant – sobre o testemunho dos fatos

A razão, tendo por um lado os seus princípios, únicos a poderem dar aos fenômenos concordantes a autoridade de leis e, por outro, a experimentação, que imaginou segundo esses princípios, deve ir ao encontro da natureza, para ser por esta ensinada, é certo, mas não na qualidade de aluno que aceita tudo o que o mestre afirma, antes na de juiz investido nas suas funções, que obriga as testemunhas a responder aos quesitos que lhes apresenta.

Kant, “Crítica da Razão Pura”, 2001, p.18

Eugen Fink – Filosofia

“Filosofía”, en el sentido vago y corriente de la palabra, acontece doquiera el hombre cavila sobre sí, doquiera se queda consternado ante la incomprensibilidad de su estar-aquí, doquiera las preguntas por el sentido de la vida emergen desde su corazón acongojado y trémulo. De este modo se le ha cruzado la filosofía casi a cada hombre alguna vez – como un sobresalto que nos estremece de súbito, como una aflicción y melancolía al parecer sin fundamento, como pregunta inquieta, como una sombra oscura sobre nuestro paisaje vital. Alguna vez toca a cada quien, tiene muchos rostros y máscaras, conocidas e inquietantes, y tiene para cada uno una propia voz, con la cual lo llama”.

Eugen Fink, “Fenómenos fundamentales de la existencia humana”

Foucault – filosofar é perder o caminho

De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição dos conhecimentos e não, de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensá­vel para continuar a olhar ou a refletir. Talvez me digam que esses jogos consigo mesmo têm que permanecer nos bastidores; e que no má­ximo eles fazem parte desses trabalhos de preparação que desaparecem por si sós a partir do momento em que produzem seus efeitos. Mas o que é filosofar hoje em dia – quero dizer, a atividade filosófica – senão o trabalho crítico do pensamento sobre o próprio pensamento? Se não consistir em tentar saber de que maneira e até onde seria possí­vel pensar diferentemente em vez de legitimar o que já se sabe?

Foucault, “A História da Sexualidade II”