Lao Tzu – sobre a decadência da ética

Quando o Tao é perdido, há o bem. Quando o bem é perdido, há a moralidade. Quando a moralidade é perdida, há o ritual. O ritual é a casca da verdadeira confiança, o início do caos.

Livro do Caminho e da Virtude 38, Lao Tzu, séc. V a.C.
Continuar lendo

Anúncios

Volpi – if Aristotle were alive today

A respected scholar of ancient philosophy, Jonathan Barnes, once said-indeed wrote-that if Aristotle were alive today he would undoubtedly live in Oxford, taking a few side trips to Louvain perhaps. A no less respected Italian specialist in Greek philosophy retorted that, if Aristotle were to have lived in our century, he would have at least spent his vacations in Padua. Overworking the anachronism, I would add: had Aristotle lived in our century, he would not have lived in Oxford for the sake of discussion with Jonathan Barnes, nor would he have stayed over in Louvain or Padua; rather, he would have preferred philosophizing in the Black Forest with Heidegger.

Volpi, “Being and Time: A “Translation” of the Nicomachean Ethics? Continuar lendo

Sloterdijk – sobre o humano

A questão sobre a essência do ser humano não entra no rumo certo até que nos afastemos da mais velha, mais obstinada e mais perniciosa das práticas da metafísica europeia: definir o ser humano como animal rationale. Nessa interpretação da essência do homem, este continua a ser entendido como uma animalitas expandida por adições espirituais. Contra isso revolta-se a análise existencial-ontológica de Heidegger, pois, para ele, a essência do ser humano não pode jamais ser expressa em uma perspectiva zoológica ou biológica, mesmo que a ela se acresça regularmente um fator espiritual ou transcendente.

Peter Sloterdijk, “Regras para o parque humano” Continuar lendo

Dastur: Heidegger and Ethics

For Heidegger, “ontology” thus understood is always “practical,” always “engaged,” and thus bears an intrinsically ethical dimension. This is doubtless the reason Heidegger has not written on ethics: because he surely does not need “to add” it on to an ontology that would then itself be conceived only as a part of philosophy. Here it is implicit that he thinks Being in a way that is different from the tradition­ which identifies Being with substance. Heidegger, like Levinas, is critical of the Western tradition. His thought unfolds “beyond” or at the “end” of philosophy, as he clearly lets it be known after the “turn.”

Dastur, “Call of Conscience” Continuar lendo

Arendt – sobre o fazer e o agir

Ao contrário da fabricação, a ação jamais é possível no isolamento. Estar isolado é estar privado da capacidade de agir. A ação e o discurso necessitam tanto da circunvizinhança de outros quanto a fabricação necessita da circunvizinhança da natureza, da qual obtém matéria-prima, e do mundo, onde coloca o produto acabado. A fabricação é circundada pelo mundo e está em permanente contato com ele; a ação e o discurso são circundados pela teia de atos e palavras de outros homens, e estão em permanente contato com ela. O mito popular de um «homem forte» que, isolado dos outros, deve sua força ao fato de estar só, é mera superstição baseada na ilusão de que podemos «fazer» algo na esfera dos negócios humanos — «fazer» instituições ou leis, por exemplo, como fazemos mesas e cadeiras, ou fazer o homem «melhor» ou «pior».

Hannah Arendt, “A Condição Humana” Continuar lendo

Olivier Abel – saber interrogar

Saber interrogar os [discursos ou situações], com efeito, significa saber os interpretar, saber sob que ângulo de ataque os tomar, por qual bordo. A filosofia aqui não supõe conhecimentos prévios: é um gesto ou um olhar a apreender. Frequentemente discursos e textos, mas também gestos e mesmo objetos só são incompreensíveis porque não sabemos à qual questão questão respondem, e que não nos pomos nem mesmo a questão. Saber interrogar, é buscar perceber o invisível, as questões às quais os fatos, as palavras e os comportamentos respondem; e é compreender que estas questões não são forçosamente as nossas, que não compreendemos tudo. É também compreender que estas respostas podem abrir novas questões, às quais elas não respondem, e às quais nem sonhamos. Há portanto algo como um aprendizado da interrogação, e é ao mesmo tempo uma formação da inteligência e uma abertura propriamente ética: a integração progressiva das questões de outro e dos outros pontos de vista a nossa percepção e a nossa concepção do mundo.

Olivier Abel, “L’éthique interrogative” Continuar lendo