Olivier Abel – saber interrogar

Saber interrogar os [discursos ou situações], com efeito, significa saber os interpretar, saber sob que ângulo de ataque os tomar, por qual bordo. A filosofia aqui não supõe conhecimentos prévios: é um gesto ou um olhar a apreender. Frequentemente discursos e textos, mas também gestos e mesmo objetos só são incompreensíveis porque não sabemos à qual questão questão respondem, e que não nos pomos nem mesmo a questão. Saber interrogar, é buscar perceber o invisível, as questões às quais os fatos, as palavras e os comportamentos respondem; e é compreender que estas questões não são forçosamente as nossas, que não compreendemos tudo. É também compreender que estas respostas podem abrir novas questões, às quais elas não respondem, e às quais nem sonhamos. Há portanto algo como um aprendizado da interrogação, e é ao mesmo tempo uma formação da inteligência e uma abertura propriamente ética: a integração progressiva das questões de outro e dos outros pontos de vista a nossa percepção e a nossa concepção do mundo.

Olivier Abel, “L’éthique interrogative”

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