Foucault – quando o discurso filosófico perde o sentido

Existe sempre algo de irrisório no discurso filosófico quando ele quer, do exterior, fazer a lei para os outros, dizer-lhes onde está a sua verdade e de que maneira encontrá-la, ou quando pretende demonstrar-se por positividade ingênua; mas é seu direito explorar o que pode ser mudado, no seu próprio pensamento, através do exercício de um saber que lhe é estranho.

Foucault, “A História da Sexualidade II”

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Foucault – filosofar é perder o caminho

De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição dos conhecimentos e não, de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensá­vel para continuar a olhar ou a refletir. Talvez me digam que esses jogos consigo mesmo têm que permanecer nos bastidores; e que no má­ximo eles fazem parte desses trabalhos de preparação que desaparecem por si sós a partir do momento em que produzem seus efeitos. Mas o que é filosofar hoje em dia – quero dizer, a atividade filosófica – senão o trabalho crítico do pensamento sobre o próprio pensamento? Se não consistir em tentar saber de que maneira e até onde seria possí­vel pensar diferentemente em vez de legitimar o que já se sabe?

Foucault, “A História da Sexualidade II”

Michel Foucault (1926-1984)

História da Sexualidade I (1976) – PT
História da Sexualidade II (1984) – PT
A História da Loucura (1961) – PT

foucault_headFoucault was born in Poitiers, France, on October 15, 1926. His student years seem to have been psychologically tormented but were intellectually brilliant. He became academically established during the 1960s, when he held a series of positions at French universities, before his election in 1969 to the ultra-prestigious Collège de France, where he was Professor of the History of Systems of Thought until his death. From the 1970s on, Foucault was very active politically. He was a founder of the Groupe d’information sur les prisons and often protested on behalf of homosexuals and other marginalized groups. He frequently lectured outside France, particularly in the United States, and in 1983 had agreed to teach annually at the University of California at Berkeley. An early victim of AIDS, Foucault died in Paris on June 25, 1984. In addition to works published during his lifetime, his lectures at the Collège de France, being published posthumously, contain important elucidations and extensions of his ideas. Continuar lendo