Volpi – if Aristotle were alive today

A respected scholar of ancient philosophy, Jonathan Barnes, once said-indeed wrote-that if Aristotle were alive today he would undoubtedly live in Oxford, taking a few side trips to Louvain perhaps. A no less respected Italian specialist in Greek philosophy retorted that, if Aristotle were to have lived in our century, he would have at least spent his vacations in Padua. Overworking the anachronism, I would add: had Aristotle lived in our century, he would not have lived in Oxford for the sake of discussion with Jonathan Barnes, nor would he have stayed over in Louvain or Padua; rather, he would have preferred philosophizing in the Black Forest with Heidegger.

Volpi, “Being and Time: A “Translation” of the Nicomachean Ethics? Continuar lendo

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Sloterdijk – sobre o humano

A questão sobre a essência do ser humano não entra no rumo certo até que nos afastemos da mais velha, mais obstinada e mais perniciosa das práticas da metafísica europeia: definir o ser humano como animal rationale. Nessa interpretação da essência do homem, este continua a ser entendido como uma animalitas expandida por adições espirituais. Contra isso revolta-se a análise existencial-ontológica de Heidegger, pois, para ele, a essência do ser humano não pode jamais ser expressa em uma perspectiva zoológica ou biológica, mesmo que a ela se acresça regularmente um fator espiritual ou transcendente.

Peter Sloterdijk, “Regras para o parque humano” Continuar lendo

Dastur: Heidegger and Ethics

For Heidegger, “ontology” thus understood is always “practical,” always “engaged,” and thus bears an intrinsically ethical dimension. This is doubtless the reason Heidegger has not written on ethics: because he surely does not need “to add” it on to an ontology that would then itself be conceived only as a part of philosophy. Here it is implicit that he thinks Being in a way that is different from the tradition­ which identifies Being with substance. Heidegger, like Levinas, is critical of the Western tradition. His thought unfolds “beyond” or at the “end” of philosophy, as he clearly lets it be known after the “turn.”

Dastur, “Call of Conscience” Continuar lendo

Heidegger – sobre o homem

O terceiro título mencionado, episteme ethike, designa o entender-se com aquilo que pertence ao êthos. êthos significa, originariamente, morada, modo de ater-se a…. No título episteme ethike faz-se referência a êthos. Significa, pois, o ater-se do homem, o habitar, a “moradia” dos homens em meio à totalidade dos entes. O essencial no êthos, nesse ater-se, é o modo em que o homem se detém e comporta frente ao ente, e com isso se mantém e se deixa deter. O entender-se com o êthos, o saber do êthos, é a “ética”. […] O homem é, o homem mora em meio à totalidade dos entes sem constituir, porém, o seu meio no sentido de ser um fundamento de sustenção e intervenção sobre os entes. O homem está em meio aos homens, mas não é o meio. Tanto a episteme physike como a episteme ethike constituem um entender-se com a totalidade dos entes que se mostra para o homem, com a qual ele se comporta, na qual ele se atém e demora.

Heidegger, “Heráclito”, 1998, p. 218

Heidegger – só um Deus pode nos salvar

[…] A filosofia a não estará apta a efetuar uma transformação imediata na presente condição do mundo. Isto é verdadeiro não apenas para a filosofia a, mas para todo pensamento meramente humano e empenho. Só um deus pode nos salvar. A única possibilidade que nos é deixada é a de preparar uma espécie de prontidão, através do pensar e do poetar, para o aparecimento do deus ou para a ausência do deus em tempo de decadência; pois perante a face do deus ausente, nós naufragamos.

Heidegger, entrevista ao Der Spiegel Continuar lendo

Heidegger – sobre ser filósofo e o cuidado com as palavras

Como atenção ao apelo que o ser faz ao homem, a “filosofia” é primordialmente o cuidado do ser e nunca uma questão de “cultura” e conhecimento. Por isso é que alguém pode dispor de uma grande soma de conhecimentos eruditos sobre as doutrinas filosóficas e opiniões dos filósofos sem nunca ser “filósofo”, sem saber “filosofar”. Outros, por sua vez, podem ser tocados pelo apelo do ser, sem saber o que é nem responder ao apelo do ser em um e através de um pensamento correspondente.

Ao pensamento que pensa, pertence, sem dúvida, um saber e um cuidado com o sentido da reflexão e um esmero da palavra que sobrepuja essencialmente todas as exigências de mera exatidão científica.

Heidegger, GA54 Continuar lendo

Heidegger – pensar no seu tempo e espaço

Por outro lado, qualquer pessoa pode seguir os caminhos da reflexão à sua maneira e dentro dos seus limites. Porquê? Porque o Homem é o ser (Wesen) que pensa, ou seja, que medita (sinnende). Não precisamos portanto, de modo algum, de nos elevarmos às «regiões superiores» quando refletimos. Basta demorarmo-nos (verweilen) junto do que está perto e meditarmos sobre o que está mais próximo: aquilo que diz respeito a cada um de nós, aqui e agora; aqui, neste pedaço de terra natal; agora, na presente hora universal.

Heidegger, GA16 (p. 11-14) Continuar lendo