Heidegger – sobre o homem

O terceiro título mencionado, episteme ethike, designa o entender-se com aquilo que pertence ao êthos. êthos significa, originariamente, morada, modo de ater-se a…. No título episteme ethike faz-se referência a êthos. Significa, pois, o ater-se do homem, o habitar, a “moradia” dos homens em meio à totalidade dos entes. O essencial no êthos, nesse ater-se, é o modo em que o homem se detém e comporta frente ao ente, e com isso se mantém e se deixa deter. O entender-se com o êthos, o saber do êthos, é a “ética”. […] O homem é, o homem mora em meio à totalidade dos entes sem constituir, porém, o seu meio no sentido de ser um fundamento de sustenção e intervenção sobre os entes. O homem está em meio aos homens, mas não é o meio. Tanto a episteme physike como a episteme ethike constituem um entender-se com a totalidade dos entes que se mostra para o homem, com a qual ele se comporta, na qual ele se atém e demora.

Heidegger, “Heráclito”, 1998, p. 218

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Beauchamp – sobre os princípios da Bioética

Antes dos anos 1970, não havia um solo firme no qual um compromisso a princípios ou mesmo uma teoria ética pudesse se enraizar na ética biomédica. […]
Princípios que pudessem ser compreendidos com relativa facilidade pelos membros das várias disciplinas figuradas proeminentemente no desenvolvimento da ética biomédica durante os anos 1970 e início dos 1980. Princípios foram usados para apresentar molduras de pressupostos avaliativos de maneira que eles poderiam ser usados, e imediatamente compreendidos, por pessoas com muitas formas diferentes de treinamento profissional. A moralidade assim destilada, encontrada nos princípios, deu às pessoas um grupo de normas gerais compartilhadas e de serventia para análise de muitos tipos de problemas morais. Em alguns respeitos, poderia ser até defendido que os princípios deram ao campo embriônico da bioética um método particular para atacar seus problemas, e isto deu certa coerência mínima e uniformidade à bioética.

BEAUCHAMP, “Standing on Principles”
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Heidegger – êthos, a morada do homem

Por oposição à “física”, que pensa o ente na sua totalidade, a “ética” se concentra num ente específico, o homem. Só que o homem não é considerado como um pedaço dos entes na totalidade, recortado dos demais entes. É considerado na perspectiva de ser o ente, e o único ente, que se atém aos entes na sua totalidade, que se relaciona com os entes em sua totalidade e, assim, consigo mesmo, ou seja, cujo comportamento se cumpre e planta a cada vez a partir de uma postura ou impostura, tò êthos é a postura, o porte do comportamento do homem frente à totalidade dos entes.

Heidegger, “Heráclito” Continuar lendo

Spinoza – as teorias morais como sátiras

Os filósofos concebem as emoções que se combatem entre si, em nós, como vícios em que os homens caem por erro próprio; é por isso que se habituaram a ridicularizá-los, deplorá-los, reprová-los ou, quando querem parecer mais morais, detestá-los. Julgam assim agir divinamente e elevar-se ao pedestal da sabedoria, prodigalizando toda espécie de louvores a uma natureza humana que em parte alguma existe, e atacando através dos seus discursos a que realmente existe. Concebem os homens, efetivamente, não tais como são, mas como eles próprios gostaria que fossem. Daí, por conseqüência, que quase todos, em vez de uma ética, hajam escrito uma sátira…

Spinosa, “Tratado Político”

Raffoul – o fim do “sujeito”

This destitution of the subject would appear to be so radical – even excessive to some  – that they seem justified in condemning its aporetic or morally dangerous character (since, as we often read, the “absence” of the subject in Heidegger’s work makes ethics as such impossible).

Francois Raffoul, “Heidegger and the Subject”

Heidegger – sobre a “essência” do agir

De há muito que ainda não se pensa, com bastante decisão, a Essência (Wesen) do agir. Só se conhece o agir como a produção de um efeito, cuja efetividade (Wirklichkeit) se avalia por sua utilidade. A Essência do agir, no entanto, está em con-sumar (Voll-bringen). Con-sumar quer dizer: conduzir uma coisa ao sumo, à plenitude de sua Essência. Levá-la a essa plenitude, producere.

Por isso, em sentido próprio, só pode ser con-sumado o que já é. Ora, o que é, antes de tudo, é o Ser. O pensamento con-suma a referência do Ser à Essência do homem. Não a produz nem a efetua. O pensamento apenas a restitui ao Ser, como algo que lhe foi entregue pelo próprio Ser. Essa restituição consiste em que, no pensamento, o Ser se torna linguagem (zur Sprache kommen). A linguagem é a morada do Ser. Em sua habitação (Behausung) mora o homem. Os pensadores e poetas lhe servem de vigias. Sua vigília é con-sumar a manifestação do Ser, porquanto, por seu dizer, a tornam linguagem e a conservam na linguagem.

Heidegger, “Carta sobre o Humanismo” (p.1)

 

Aristóteles

Ética a Nicômaco (pdf/pt)

Metafísica / Ética à Nicômaco / Poética (pdf/pt)

aristoteles

Aristotle (/ˈærɪˌstɒtəl/; Greek: Ἀριστοτέλης [aristotélɛːs], Aristotélēs; 384 – 322 BC) was a Greek philosopher and scientist born in the Macedonian city of Stagira, Chalkidice, on the northern periphery of Classical Greece. His father, Nicomachus, died when Aristotle was a child, whereafter Proxenus of Atarneus became his guardian. At eighteen, he joined Plato’s Academy in Athens and remained there until the age of thirty-seven (c. 347 BC). His writings cover many subjects – including physics, biology, zoology, metaphysics, logic, ethics, aesthetics, poetry, theater, music, rhetoric, linguistics, politics and government – and constitute the first comprehensive system of Western philosophy. Shortly after Plato died, Aristotle left Athens and, at the request of Philip of Macedon, tutored Alexander the Great starting from 343 BC. According to the Encyclopædia Britannica, “Aristotle was the first genuine scientist in history … [and] every scientist is in his debt.”

Teaching Alexander the Great gave Aristotle many opportunities and an abundance of supplies. He established a library in the Lyceum which aided in the production of many of his hundreds of books. The fact that Aristotle was a pupil of Plato contributed to his former views of Platonism, but, following Plato’s death, Aristotle immersed himself in empirical studies and shifted from Platonism to empiricism. He believed all peoples’ concepts and all of their knowledge was ultimately based on perception. Aristotle’s views on natural sciences represent the groundwork underlying many of his works. Continuar lendo