Luijpen – impossível pensar sem a tradição

Como filósofo sou uma pessoa, um eu, e meu filosofar só é legítimo sendo o meu filosofar. Toda pessoa, porém, acha-se inserta em uma história que não é pessoal, que o indivíduo mesmo não fez. Trata-se de uma inserção inevitável. Não posso, pois, começar a pensar do ponto zero, porque o que penso já foi pensado, e em tal pensamento fui acolhido. Sou levado pelo pensamento da tradição, pelo menos porque falo sua linguagem e me acho imbuído dos pensamentos encarnados nessa linguagem. Pensar sem linguagem é impossível; não menos impossível, pensar sem tradição.

Isso não quer dizer que o filósofo precise abandonar a pretensão de pensar pessoalmente. De maneira alguma. Ainda que levado pela história do pensamento, o filósofo é chamado a despertá-la para uma nova vida. Acontece isso ao se aprofundar nas obras dos que o precederam. Os filósofos do passado têm coisas importantes a dizer-nos.

William Luijpen

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Foucault – quando o discurso filosófico perde o sentido

Existe sempre algo de irrisório no discurso filosófico quando ele quer, do exterior, fazer a lei para os outros, dizer-lhes onde está a sua verdade e de que maneira encontrá-la, ou quando pretende demonstrar-se por positividade ingênua; mas é seu direito explorar o que pode ser mudado, no seu próprio pensamento, através do exercício de um saber que lhe é estranho.

Foucault, “A História da Sexualidade II”

Eugen Fink – Filosofia

“Filosofía”, en el sentido vago y corriente de la palabra, acontece doquiera el hombre cavila sobre sí, doquiera se queda consternado ante la incomprensibilidad de su estar-aquí, doquiera las preguntas por el sentido de la vida emergen desde su corazón acongojado y trémulo. De este modo se le ha cruzado la filosofía casi a cada hombre alguna vez – como un sobresalto que nos estremece de súbito, como una aflicción y melancolía al parecer sin fundamento, como pregunta inquieta, como una sombra oscura sobre nuestro paisaje vital. Alguna vez toca a cada quien, tiene muchos rostros y máscaras, conocidas e inquietantes, y tiene para cada uno una propia voz, con la cual lo llama”.

Eugen Fink, “Fenómenos fundamentales de la existencia humana”

Heidegger – o que é Filosofia?

16807631_124057511449023_4589262984088955046_n“Como qualquer outra ciência, a filosofia é válida como um valor cultural. Ao mesmo tempo, porém, o que lhe há de mais próprio é levantar a petição à validade e à função enquanto valor vital. O bem filosófico de pensamento é mais do que uma matéria científica, com a qual as pessoas se ocupam por uma predileção pessoal e pela vontade de incremento e de co-configuração da cultura. A filosofia vive ao mesmo tempo em uma tensão com a personalidade viva, exaure de suas profundezas e plenitudes vitais o conteúdo e a pretensão valorativa. Na maioria das vezes, por isto, encontra-se à base de toda concepção filosófica uma tomada de posição pessoal do filósofo em questão. Nietzsche, em seu modo de pe inexoravelmente seco e em sua capacidade plástica de representação, formulou essa determinação de toda filosofia com a expressão “a pulsão que filosofa”

Heidegger, “Escritos da Juventude” (GA 1, p. 195-196)