Rousseau – por que somente o homem está sujeito a se tornar um imbecil?

Não vejo em todo animal senão uma máquina engenhosa, à qual a natureza deu sentidos para prover-se ela mesma, e para se preservar, até certo ponto, de tudo o que tende a destruí-la ou perturbá-la. Percebo precisamente as mesmas coisas na máquina humana, com a diferença de que só a natureza faz tudo nas operações do animal, ao passo que o homem concorre para as suas na qualidade de agente livre. Um escolhe ou rejeita por instinto, o outro por um ato de liberdade, o que faz com que o animal não possa afastar-se da regra que lhe é prescrita, mesmo quando lhe fosse vantajoso fazê-lo, e que o homem dela se afaste freqüentemente em seu prejuízo. É assim que um pombo morre de fome perto de uma vasilha cheia das melhores carnes, e um gato sobre uma porção de frutas ou de grãos, embora ambos pudessem nutrir-se com os alimentos que desdenham, se procurassem experimentá-lo; é assim que os homens dissolutos se entregam a excessos que lhes ocasionam a febre e a morte, porque o espírito deprava os sentidos, e a vontade fala ainda quando a natureza se cala. […] Porque só o homem está sujeito a se tornar imbecil?

Rousseau, “Discurso sobre a desigualdade entre os homens” Continuar lendo

Anúncios

J. J. Rousseau (1712-1778)

Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens (1754) – pdf/pt

Social Contract (1762) – pdf/pt

rousseau

Jean-Jacques Rousseau (/ruːˈsoʊ/; French: [ʒɑ̃ʒak ʁuso]; 28 June 1712 – 2 July 1778) was a Genevan philosopher, writer, and composer of the 18th century. His political philosophy influenced The Enlightenment in France and across Europe, as well as aspects of the French Revolution and the overall development of modern political and educational thought.

Rousseau’s novel Emile, or On Education is a treatise on the education of the whole person for citizenship. His sentimental novel Julie, or the New Heloise was of importance to the development of pre-romanticism and romanticism in fiction. Rousseau’s autobiographical writings — his Confessions, which initiated the modern autobiography, and his Reveries of a Solitary Walker — exemplified the late 18th-century movement known as the Age of Sensibility, and featured an increased focus on subjectivity and introspection that later characterized modern writing. His Discourse on Inequality and The Social Contract are cornerstones in modern political and social thought. Continuar lendo