Heidegger – temos obrado demais e pensado de menos…

O mais grave é que nós não pensamos; ainda não, apesar de que a situação do mundo continuamente dá mais o que pensar. […] talvez o homem habitual durante séculos já tenha obrado demais e pensado de menos.
Heidegger, “O que é pensar?”
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Kant – sobre as revoluções

Uma revolução poderá talvez realizar a queda do despotismo pessoal ou da opressão ávida de lucros ou de domínios, porém nunca produzirá a verdadeira reforma do modo de pensar. Apenas novos preconceitos, assim como os velhos, servirão como cintas para conduzir a grande massa destituída de pensamento.

Kant, “O que é o Esclarecimento”

Nietzsche – o delírio da ciência

[…] uma profunda representação ilusória, que veio ao mundo pela primeira vez na pessoa de Sócrates – aquela inabalável fé de que o pensar, pelo fio condutor da causalidade, atinge até os abismos mais profundos do ser e que o pensar está em condições, não só de conhecê-lo, mas inclusive de corrigi-lo. Essa sublime ilusão metafísica é aditada como instinto à ciência, e a conduz sempre de novo a seus limites, onde ela tem de transmutar-se em arte, que é o objetivo propriamente visado por esse mecanismo.

Nietzsche, “O Nascimento da Tragédia”

MacIntyre – ética das virtudes

Because I understand the tradition of the virtues to have arisen within and to have been first adequately articulated in the Greek, especially the Athenian polis, and because I have stressed the ways in which that tradition flourished in the European middle ages, I have been accused of nostalgia and of idealizing the past. But there is, I think, not a trace of this in the text. What there is is an insistence on our need to learn from some aspects of the past, by understanding our contemporary selves and our contemporary moral relationships in the light afforded by a tradition that enables us to overcome the constraints on such self-knowledge that modernity, especially advanced modernity, imposes. Continuar lendo

Denise Quintão – o homem é um ser do mundo

O homem é o único ser que, para existir, tem de conquistar sua própria existência, pois o existir humano não se dá num simples viver e morrer. Para o homem, a morte, assim como a vida, é sempre uma conquista. Pobre de mundo, o animal simplesmente morre, não espera pela morte, nem teme a morte, e por isso mesmo não procura superar a morte. Mas o homem é um ser do mundo, e por isso morre determinado pela conquista de sua própria existência, um empenho de superação da morte. A vida humana é mais do que sinais vitais; é sentido. Não há nada no homem que seja puramente animal. A animalidade no homem é absorvida e transformada pela sua humanidade.

Denise Quintão, “Ética e Responsabilidade na Vida”