Nietzsche – a destruição da subjetividade

Não somos batráquios pensantes, não somos aparelhos de objetivar e registrar, de entranhas congeladas – temos de continuamente parir nossos pensamentos em meio a nossa dor, dando-lhes maternalmente todo o sangue, coração, fogo, prazer, paixão, tormento, consciência, destino e fatalidade que há em nós. Viver – isso significa, para nós, transformar em luz e flama tudo o que somos, e também tudo o que nos atinge; não podemos agir de outro modo.

NIETZSCHE, “A gaia ciência”

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Raffoul – o fim do “sujeito”

This destitution of the subject would appear to be so radical – even excessive to some  – that they seem justified in condemning its aporetic or morally dangerous character (since, as we often read, the “absence” of the subject in Heidegger’s work makes ethics as such impossible).

Francois Raffoul, “Heidegger and the Subject”

Gérard Simon – sujeito x objeto

“Opseis (no plural) são as “vistas” que se toma do objeto; e quando se trata do olhar, todas as linhas de visada simultâneas que lhe oferecem o que ele vê. […] Há muito tempo entre os gregos luz e visão permaneceram indistintas uma da outra. Para Homero ou Hesíodo, e até em Ésquilo, os corpos celestes são dotados da vista do fato mesmo que espalham luz; o Sol olha de seus raios os mortais que ele ilumina. Da mesma maneira, opsis, a vista, designa ao mesmo tempo o aspecto disto que se vê, o fato de ver, o órgão da visão e o espectro de um morto ou a aparição de um deus que se dá a ver: a indistinção concerne portanto aqui isto que nós separamos em objetivo e subjetivo.”

 

GÉRARD SIMON, “Le regard, l’être et l’apparence” (p. 26-27)